Jejum de Ester: o que foi, o que a Bíblia diz e como fazer hoje
Por Mirian Santos · · 6 min de leitura
O jejum de Ester é o jejum de três dias que a rainha Ester pediu ao povo judeu antes de entrar, sem ser chamada, na presença do rei Assuero. Ela jejuou junto com as suas servas, sem comer nem beber, e só depois arriscou a própria vida para salvar o seu povo (Ester 4:16). Por isso ele ficou conhecido como um jejum de entrega, feito num momento de crise e de decisão.
O que a Bíblia diz sobre o jejum de Ester
Um decreto articulado por Hamã marcava o dia em que todos os judeus do império seriam mortos. Mardoqueu pediu que Ester intercedesse junto ao rei. Só que entrar na sala do trono sem convite podia ser punido com a morte, a não ser que o rei estendesse o cetro de ouro. Diante disso, Ester respondeu:
“Vá, ajunte todos os judeus que se acharem em Susã, e jejuem por mim, e não comam nem bebam por três dias, nem de noite nem de dia; eu e as minhas servas também assim jejuaremos. E assim irei ter com o rei, ainda que não seja segundo a lei; e se perecer, pereci.”
No terceiro dia, Ester se vestiu como rainha e entrou no pátio do palácio. O rei se agradou dela e estendeu o cetro (Ester 5:1-2). A partir dali, com sabedoria e paciência, ela revelou o plano de Hamã e o seu povo foi salvo.
As características do jejum de Ester
- Durou três dias, de noite e de dia (Ester 4:16).
- Foi um jejum total: sem comida e sem água.
- Foi coletivo. Ester não jejuou sozinha: chamou o povo de Susã e as suas servas.
- Teve um motivo claro: buscar a Deus antes de uma decisão de vida ou morte.
- Veio antes da ação. Primeiro Ester buscou a Deus, depois foi ao rei.
Ester jejuou, mas onde está a oração?
O livro de Ester não cita o nome de Deus nem fala de oração de forma explícita. Mesmo assim, no contexto da Bíblia, o jejum sempre esteve ligado à busca por Deus, ao arrependimento e à súplica. Quando o decreto foi publicado, os judeus já tinham reagido com “grande luto, jejum, choro e lamentação” (Ester 4:3). O jejum de Ester foi, antes de tudo, um clamor. As Bíblias católicas, que seguem a antiga tradução grega, chegam a registrar a oração de Ester feita nesses dias.
O jejum de Ester no calendário judaico
Até hoje, os judeus lembram esse episódio com o Jejum de Ester (Taanit Ester), um dia de jejum na véspera da festa de Purim, que celebra o livramento narrado no livro (Ester 9). Na tradição, ele vai do amanhecer ao anoitecer, em memória do jejum que antecedeu a vitória.
Como fazer o jejum de Ester hoje
Muitas mulheres fazem um propósito inspirado em Ester antes de uma decisão importante, em uma fase difícil ou quando sentem que precisam despertar espiritualmente. O mais importante não é copiar a forma, mas o coração: entrega, humildade e dependência de Deus. Algumas orientações práticas:
- Defina o motivo. Escreva pelo que você vai buscar a Deus nesses dias, como Ester fez.
- Escolha um formato possível para a sua saúde. Ficar três dias sem comer e sem beber água é perigoso. Muitas pessoas fazem jejum de algumas refeições, de um período do dia ou de algum alimento, sempre bebendo água.
- Converse com o seu médico antes, principalmente se você está grávida, amamentando, toma remédios contínuos ou tem diabetes, pressão alta ou histórico de distúrbios alimentares.
- Troque o tempo da refeição por tempo com Deus: oração, leitura da Bíblia e silêncio.
- Leia o livro de Ester durante esses dias. São dez capítulos curtos.
- Se fizer sentido, convide outras pessoas, como Ester convidou o povo e as suas servas.
- Ao terminar, volte a se alimentar aos poucos e esteja atenta ao que Deus mostrou.
O que o jejum de Ester ensina
Ester tinha posição, beleza e acesso ao palácio, mas sabia que nada disso bastava. Antes de entrar na presença do rei da Pérsia, ela entrou na presença do Rei dos reis. A coragem dela nasceu ali, no secreto. Jejuar não é uma forma de convencer Deus a fazer o que queremos. É uma forma de alinhar o nosso coração ao Dele, e de lembrar que dependemos Dele para cada passo.